O Panyee FC, uma equipa de uma minúscula ilha no sul da Tailândia (Koh Panyee), surgiu em 1986 com a certidão de óbito passada à nascença. Afinal, como seria possível fazer uma equipa de futebol num espaço...sem espaço? As dimensões reduzidas da ilha não davam lugar a hipóteses, sequer. Ali não havia espaço para futebol. Ou melhor, talvez não houvesse, se estivéssemos a falar de um povo menos guerreiro.
Os habitantes deitaram mãos à obra e construíram um campo de futebol em cima do mar. Com madeira e outros objectos montaram uma plataforma que satisfez o que todos queriam: o simples gesto de jogar futebol. Nasceu aí a equipa. A história é, agora, um filme, aproveitada por um banco para uma campanha publicitária.
O Site "Maisfutebol" viu-o, apaixonou-se pela história e conversou com o realizador, o australiano Matt Devine. Também ele desconhecia o Panyee FC, mas deixou-se conquistar.
"A parte mais fascinante da história é a paixão que eles tinham pelo futebol. É uma obsessão. Mesmo não tendo onde jogar, eles amavam aquilo. Os membros originais da equipe, que têm cerca de 40 anos agora, ainda vivem na ilha. Muitos deles são treinadores da equipa atual. Foi com eles que trabalhamos. Foram eles que nos contaram a história. São pessoas muito inspiradoras. Estavam entusiasmados pela sua história tornar-se num filme e só queriam que fosse contada sem qualquer erro", explicou.
"O campo que construímos era dez vezes melhor que o original"
O filme, uma curta-metragem de cerca de cinco minutos, retrata a génese do Panyee FC, praticamente pela voz dos protagonistas. "Nenhuma das pessoas no filme é ator. Todos eram habitantes da vila, o que complicou as filmagens no início. O grande obstáculo foi a língua. Eles não falam inglês, uma barreira que só foi ultrapassada com o tempo", conta.
"No filme, como é óbvio, a história foi um pouco romantizada para que tivesse emoção e beleza. Mas tentamos que fosse o mais fiel possível. Disseram-nos que o campo que construímos era dez vezes melhor que o original. O que ainda torna tudo mais fascinante, quanto a mim", afirmou Matt Devine.
Uma corrida de 15 km para jogar à bola
Mais do que a história do Panyee FC, foi a ilha que conquistou o realizador. "Achei a história muito interessante, claro. Mas foi uma foto aérea da ilha que me conquistou. Fiquei fascinado", confessa.
A película acabou deixando de fora algumas histórias paralelas, para não exceder o tempo marcado. Matt conta uma delas ao nosso jornal: "A ilha não tem carros, porque não há estradas com condições para eles circularem. Quando queriam jogar futebol, alguns deles, que moravam na parte mais interior, vinham a correr até ao cais onde ficava o campo, jogavam um jogo e depois corriam de volta para casa. Ora, as casas ficavam a cerca de 15 quilômetros do cais..."
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